Segunda-feira, Outubro 11, 2010

PORQUE ESTAVA ALI...

Abriste-me a porta e o teu sorriso atou-me e deixou empedernido, sem conseguir dizer-te porque estava ali. Na verdade não consegui dizer nada. Apenas olhar-te.

Não sei se falaste alguma coisa. Ensurdecido pelo som do teu olhar, segui os teus passos rumo a um mundo nosso onde se consegue ouvir o som das palavras ausentes.

Lembro-me de a minha mão ter procurado a tua. Lembro-me dos teus dedos se enredarem nos meus e eu continuar sem conseguir dizer-te porque estava ali.

Lembro-me do silêncio ser tal que se conseguia escutar o bater descompassado do nosso desejo e, quando ia dizer-te porque estava ali, não consegui. Senti as palavras adormecerem nos teus lábios.

Sexta-feira, Agosto 27, 2010

O prazer que é ser teu

A brisa gélida da noite vem abraçar-me e trazer-me cheiros teus, tentando apagar as lágrimas que a tua ausência provoca enquanto as estrelas rasgam o céu desenhando o teu sorriso. Esse sorriso inconfundível, que só a mim mostras e que me grita segredos inconfessáveis.

A lua teima em iluminar caminhos que não percorro sem ti! E este medo, este imenso medo de me perder neles se não sentir a tua mão.

A noite prolonga-se, neste silêncio frio interminável, nesta angústia insuportável de esperar por ti sabendo que nunca virás e, mesmo assim, continuo aqui sentado, afogado numa eternidade de pensamentos, na esperança que também tu estejas a olhar este céu e a sentir o prazer que é ser teu.

Quarta-feira, Setembro 03, 2008

Despedida...

E assim chegámos ao fim, amor da minha vida!

Estes Mundos Paralelos acabaram por nos sugar, afastando-nos. Vejo-te cada vez mais longe, a cada momento te sinto mais distante. A realidade levou-te de mim.

Dou por mim, aqui sentado, tendo por companhia: sonhos, ilusões, promessas, paixão, desejo… e amor, observando-te a ser levada, por outra mão, para o teu mundo. Fico aqui, impotente, sem coragem de lhes pedir ajuda para correr atrás de ti. Pedir-te para não entrares. Pedir-te que te sentes ao nosso lado.

Mas não. Deixo-te ir… Não corro atrás de ti. Fico amarrado ao meu mundo, sem saber qual o caminho para a felicidade, tendo a certeza que nunca o encontrarei sem ti. Levas contigo o brilho do meu olhar. Guarda-o, porque se um dia nos voltarmos a encontrar, sei que mo devolverás.

Resta-me guardar o que ficou de nós.

Arrumo em caixas todos os segundos em que te tive, em que foste minha. Não sei se terei espaço para tanto sorriso cúmplice. Consegui um pequeno baú, para aqueles beijos que tornavam supérfluas as palavras e nos transportavam para outra dimensão. Olho em redor: tantas palavras, tantas frases, tantas promessas para arquivar. Armazeno os momentos de prazer. Meus Deus… foram tantos! Onde irei colocar tantos olhares entrelaçados? Lembras-te daqueles abraços que esmagavam a saudade? Onde achas que os deva colocar?

Sinto o cheiro desses momentos impregnarem-se de forma irreversível na minha pele e, com cuidado acrescido, guardo o sabor das tuas mãos a percorrem-me o corpo pela última vez.

Abandono as memórias, deixando a porta entreaberta, porque sei que vou lá voltar a cada instante.

Já não te consigo distinguir. Estás tão longe. Perdi-te! Perdi-te… para sempre, amor! E foste embora sem me ensinares a viver sem ti.

Quarta-feira, Junho 25, 2008

Embriagado de ti…

O vento soprava, quente, estendendo o luar, indefinidamente. Sem qualquer consentimento, foi envolvendo-me como se fossem os teus braços, afastando-me o cabelo como se fossem os teus dedos, beijando-me como se fossem os teus lábios, obrigando-me a fechar os olhos, para te ver.

Senti a noite, silenciosamente, sentar-se ao meu lado, trazendo-me cheiros, palavras, memórias, sorrisos, lágrimas, promessas, possíveis, impossíveis, desejos e prazer, muito prazer que guardara de momentos nossos. Lentamente fui fazendo um cocktail de recordações, na ânsia de matar a sede que tinha de ti.

Incendiei os desejos e bebi tudo… num trago!

(…………)

Adormeci, completamente embriagado de ti, e só voltei a acordar naquele abraço!

Domingo, Junho 22, 2008

Preciso fazer-te feliz...


Hoje o dia acordou estranho. Diferente. Com um sol que me gela, por dentro. Sinto o coração diminuir as batidas, assustadoramente. Não há cores, repentinamente, o mundo vestiu-se de preto e branco. Vejo reflectido, no espelho, um olhar cinzento.

Sinto-me perdido, num mundo que não é o meu, que não entendo… que não faz qualquer sentido. Não reconheço ninguém. As pessoas falam um idioma que desconheço.

Oculto o olhar da ausência, enquanto vagueio, desesperadamente, por espaços desconhecidos, procurando-te. Sinto-te aqui, mas não te vejo. Sinto que me olhas, que me desejas, que sentes o meu desespero, mas não te descubro. Procuro aquele olhar que me abraça e me despe. Busco aquele sorriso que faz respirar.

E procuro, procuro incessantemente… e não te encontro.

Escuto o grito de desassossego das palavras, nos meus lábios, na ânsia de te serem confidenciadas ao ouvido…

Já não sei onde procurar mais. Sinto a tua falta… volta depressa. Preciso fazer-te feliz… Deixas?

Segunda-feira, Maio 26, 2008

E espero, espero sempre…


Estava a tentar lembrar-me há quanto tempo estamos juntos e… não consigo…

O tempo, na tua ausência, ganha outra dimensão. Estende-se pelas noites. Prolonga-se para lá do suportável. Sinto-o, ali, imóvel e silencioso. Num silêncio ensurdecedor e infindável.

E deixa-me prisioneiro das nossas memórias… fecho os olhos na esperança de te ver, como se nem sequer houvesse tempo... imaginando reais aqueles momentos em que entrelaçamos o olhar, em que lemos cada sorriso, cada expressão. Aqueles momentos em que esmagamos a saudade num abraço e deixamos apenas os corpos falarem.

E espero, espero sempre… que ele me liberte e me deixe ir ter contigo. Que me deixe dizer-te que não existo para além de ti. Que me deixe dizer-te que os meus lábios apenas reconhecem o teu sabor, que as minhas mãos estranham outro corpo que não o teu, que o meu desejo não sobrevive sem ti…

Há quanto tempo estamos juntos? Não sei… o que sinto por ti não se constrói em tempo finito e mensurável. Só posso estar contigo desde sempre…

E sempre que ouço gritar que não posso ficar contigo, destruo os impossíveis e… espero, espero sempre…

Terça-feira, Março 18, 2008

Beijo

Naquela noite esperava por ti a cada segundo. Lembro-me do momento em que te abri a porta… Os nossos corpos ficaram silenciosos e o meu olhar, num acto brusco, se ter abraçado ao teu, tentando despi-lo de culpas, de arrependimentos e de promessas.

Deixei a minha boca escorrer pelo teu pescoço e o teu odor apoderou-se de mim. Quando os meus lábios encontraram os teus, saboreamos as palavras de desejo afogadas na saliva e os nossos corpos transformaram-se num só. Senti-me dominado pelo que as minhas mãos leram ao percorrerem a tua pele.

O chão abateu-se debaixo dos nossos pés e fomos transportados para uma dimensão onde apenas o desejo sobrevive.

E naquele beijo tudo se tornou definitivo. Um beijo que não se finge. Um beijo que não mente.