Quarta-feira, Setembro 03, 2008

Despedida...

E assim chegámos ao fim, amor da minha vida!

Estes Mundos Paralelos acabaram por nos sugar, afastando-nos. Vejo-te cada vez mais longe, a cada momento te sinto mais distante. A realidade levou-te de mim.

Dou por mim, aqui sentado, tendo por companhia: sonhos, ilusões, promessas, paixão, desejo… e amor, observando-te a ser levada, por outra mão, para o teu mundo. Fico aqui, impotente, sem coragem de lhes pedir ajuda para correr atrás de ti. Pedir-te para não entrares. Pedir-te que te sentes ao nosso lado.

Mas não. Deixo-te ir… Não corro atrás de ti. Fico amarrado ao meu mundo, sem saber qual o caminho para a felicidade, tendo a certeza que nunca o encontrarei sem ti. Levas contigo o brilho do meu olhar. Guarda-o, porque se um dia nos voltarmos a encontrar, sei que mo devolverás.

Resta-me guardar o que ficou de nós.

Arrumo em caixas todos os segundos em que te tive, em que foste minha. Não sei se terei espaço para tanto sorriso cúmplice. Consegui um pequeno baú, para aqueles beijos que tornavam supérfluas as palavras e nos transportavam para outra dimensão. Olho em redor: tantas palavras, tantas frases, tantas promessas para arquivar. Armazeno os momentos de prazer. Meus Deus… foram tantos! Onde irei colocar tantos olhares entrelaçados? Lembras-te daqueles abraços que esmagavam a saudade? Onde achas que os deva colocar?

Sinto o cheiro desses momentos impregnarem-se de forma irreversível na minha pele e, com cuidado acrescido, guardo o sabor das tuas mãos a percorrem-me o corpo pela última vez.

Abandono as memórias, deixando a porta entreaberta, porque sei que vou lá voltar a cada instante.

Já não te consigo distinguir. Estás tão longe. Perdi-te! Perdi-te… para sempre, amor! E foste embora sem me ensinares a viver sem ti.

Quarta-feira, Junho 25, 2008

Embriagado de ti…

O vento soprava, quente, estendendo o luar, indefinidamente. Sem qualquer consentimento, foi envolvendo-me como se fossem os teus braços, afastando-me o cabelo como se fossem os teus dedos, beijando-me como se fossem os teus lábios, obrigando-me a fechar os olhos, para te ver.

Senti a noite, silenciosamente, sentar-se ao meu lado, trazendo-me cheiros, palavras, memórias, sorrisos, lágrimas, promessas, possíveis, impossíveis, desejos e prazer, muito prazer que guardara de momentos nossos. Lentamente fui fazendo um cocktail de recordações, na ânsia de matar a sede que tinha de ti.

Incendiei os desejos e bebi tudo… num trago!

(…………)

Adormeci, completamente embriagado de ti, e só voltei a acordar naquele abraço!

Domingo, Junho 22, 2008

Preciso fazer-te feliz...


Hoje o dia acordou estranho. Diferente. Com um sol que me gela, por dentro. Sinto o coração diminuir as batidas, assustadoramente. Não há cores, repentinamente, o mundo vestiu-se de preto e branco. Vejo reflectido, no espelho, um olhar cinzento.

Sinto-me perdido, num mundo que não é o meu, que não entendo… que não faz qualquer sentido. Não reconheço ninguém. As pessoas falam um idioma que desconheço.

Oculto o olhar da ausência, enquanto vagueio, desesperadamente, por espaços desconhecidos, procurando-te. Sinto-te aqui, mas não te vejo. Sinto que me olhas, que me desejas, que sentes o meu desespero, mas não te descubro. Procuro aquele olhar que me abraça e me despe. Busco aquele sorriso que faz respirar.

E procuro, procuro incessantemente… e não te encontro.

Escuto o grito de desassossego das palavras, nos meus lábios, na ânsia de te serem confidenciadas ao ouvido…

Já não sei onde procurar mais. Sinto a tua falta… volta depressa. Preciso fazer-te feliz… Deixas?

Segunda-feira, Maio 26, 2008

E espero, espero sempre…


Estava a tentar lembrar-me há quanto tempo estamos juntos e… não consigo…

O tempo, na tua ausência, ganha outra dimensão. Estende-se pelas noites. Prolonga-se para lá do suportável. Sinto-o, ali, imóvel e silencioso. Num silêncio ensurdecedor e infindável.

E deixa-me prisioneiro das nossas memórias… fecho os olhos na esperança de te ver, como se nem sequer houvesse tempo... imaginando reais aqueles momentos em que entrelaçamos o olhar, em que lemos cada sorriso, cada expressão. Aqueles momentos em que esmagamos a saudade num abraço e deixamos apenas os corpos falarem.

E espero, espero sempre… que ele me liberte e me deixe ir ter contigo. Que me deixe dizer-te que não existo para além de ti. Que me deixe dizer-te que os meus lábios apenas reconhecem o teu sabor, que as minhas mãos estranham outro corpo que não o teu, que o meu desejo não sobrevive sem ti…

Há quanto tempo estamos juntos? Não sei… o que sinto por ti não se constrói em tempo finito e mensurável. Só posso estar contigo desde sempre…

E sempre que ouço gritar que não posso ficar contigo, destruo os impossíveis e… espero, espero sempre…

Terça-feira, Março 18, 2008

Beijo

Naquela noite esperava por ti a cada segundo. Lembro-me do momento em que te abri a porta… Os nossos corpos ficaram silenciosos e o meu olhar, num acto brusco, se ter abraçado ao teu, tentando despi-lo de culpas, de arrependimentos e de promessas.

Deixei a minha boca escorrer pelo teu pescoço e o teu odor apoderou-se de mim. Quando os meus lábios encontraram os teus, saboreamos as palavras de desejo afogadas na saliva e os nossos corpos transformaram-se num só. Senti-me dominado pelo que as minhas mãos leram ao percorrerem a tua pele.

O chão abateu-se debaixo dos nossos pés e fomos transportados para uma dimensão onde apenas o desejo sobrevive.

E naquele beijo tudo se tornou definitivo. Um beijo que não se finge. Um beijo que não mente.

Segunda-feira, Janeiro 14, 2008

…em silêncio

Necessito falar contigo. Quero dizer-te tanta coisa… sem proferir uma palavra. Sem o ruído que elas provocariam. As palavras já não conseguem pronunciar o que sinto por ti. Têm som e eu preciso de te dizer tanta coisa… em silêncio.

Quero poder entrelaçar os nossos olhares, e deixá-los, sem medos, fazerem promessas de amor eterno, que nós jamais ousaríamos.

Quero ouvir o teu sorriso gritar de felicidade por eu estar ali.

Quero envolver-te num abraço, sentir o teu coração bater descompassadamente e… beijar-te. Beijar-te. Beijar-te demoradamente. Sentir aquele arrepio que a tua boca me provoca e que me percorre o corpo. Enredar os meus dedos nos teus e, naqueles momentos, fazer-te sentir que me pertences, que jamais te deixarei partir. Que nunca te deixarei desistir de mim.

Olha para mim. Tenho tanta coisa para te dizer… em silêncio!

Segunda-feira, Outubro 29, 2007

Preciso de ti….

Foste embora e, de forma inadvertida, provavelmente, levaste contigo algumas coisas que julgava minhas. É que não sei nem do meu sorriso; nem do brilho do meu olhar. Perdi a vontade de falar, e não sei onde está a minha capacidade de ouvir.

Já procurei por todo o lado e não os encontro.

No silêncio, fechei os olhos e reconstruí todos os passos; visitei todos os locais; recreei todos os momentos para tentar descobrir em que altura os teria perdido. Tentei lembrar-me quando os tinha visto pela última vez. Onde os teria deixado. Adormeci na esperança que a noite mos devolvesse. Mas recusou-se a fazê-lo. Apenas me recordou que última vez que os havia sentido tinha sido pouco antes de me teres dito, com os olhos húmidos: “Até Quarta…”.

É por isso que te escrevo, amor. Confirma se o meu sorriso não ficou nos teus lábios quando me beijaste pela última vez. Averigua se o brilho do meu olhar não foi agarrado ao teu quando te foste embora. Verifica se a minha vontade de falar não ficou no teu ouvido quando te segredei o que já não é segredo nenhum; certifica-te que a minha capacidade de ouvir não ficou colada ao teu corpo quando me abraçaste pela última vez.

(……………)

Eu sei que estão contigo, mas que não mos podes devolver porque já não me pertencem; porque sem ti já não sobreviveriam. Porque só tu os despertas. Porque só tu me fazes feliz, volta, depressa… preciso de ti!