Terça-feira, Agosto 07, 2007

Não quero adormecer


Não quero adormecer. Esta noite, não!

Não quero adormecer enquanto as minhas mãos insistirem em percorrer, levemente, o teu corpo adormecido, despido e indefeso, como quem explora um lugar desconhecido, descobrindo cada forma; cada sinuosidade; cada imperfeição; cada sinal; cada textura. Não quero adormecer enquanto os meus lábios insistirem em percorrer o teu corpo na ânsia de conseguirem eternizar o sabor deste desejo.

Não quero adormecer enquanto os meus olhos insistirem em percorrer o teu corpo relembrando cada momento de prazer; cada expressão e cada olhar teu.

E, quando ébrio por esta felicidade irreal, fechar os olhos ainda vou conseguir ouvir os nossos últimos gemidos; ainda vou conseguir sentir o odor dos nossos corpos unidos; ainda vou conseguir ouvir o que teu olhar grita sempre que se entrelaça no meu. Finalmente, ainda a sonhar, deixar-me-ei adormecer, acreditando conseguir esculpir estes momentos na escuridão da tua ausência.

2 comentários:

Cláudia disse...

Gostei muito. Sentimento em cada letra.

Terá a ausência que ser sempre "escura"?

Fica bem. ***

P; Schultz disse...

A "escuridão da ausencia" tocou alguma coisa no meu coração. Mas não... já faz tempo que não olho para trás: para qué? So o amanhã poderá ser mais brilhante. O passado? Jamais.